31 5 / 2012

A Arábia: parte quatro

1: A liberdade

É de opinião comum que a maioria de nós busca a liberdade. Mas Catarina era um pouco diferente, buscava sua prisão. Por quê? Essa era uma pergunta que muitas vezes ela mesma se fazia. Catarina tinha medo por não temer tanto quanto os outros: e isso a fazia medrosa.

“Às vezes você me pergunta por que sou tão calada. Eu sou mesmo?” disse Catarina.
“Você é calada duplamente, minha querida. Quando se tem duas caras você precisa tomar o cuidado de calar duas bocas.” disse o Diabo.

Quando morreu, Catarina não passou nem perto da barca sagrada de Gil Vicente. Em vida, fez questão de fingir estar conformada e acostumada; mas não adiantava: Catarina era de Gêmeos, no sentido quase que literal que o signo elucida.
Esqueceu o Diabo, escorpiano de longa data, de tomar cuidado com ela. Catarina era e se fazia parecer noiva do Demônio.

2: A verdade

A verdade era que o Diabo raramente falava a verdade. Tinha namoradas e namorados aos montes, mas no fundo sabia que seu amor emanava perto de somente alguns deles. O Diabo gostava do Louvre. E da sinceridade [com que] que muitas vezes lhe faltava(m).

26 5 / 2012

A Arábia: parte três

Pandora, por Jules Joseph Lefebvre, 1882, coleção privada

Pandora, por Jules Joseph Lefebvre, 1882.

1: A Cartomante

“Próximo.”

“Quanto é a consulta?”

“Isso não é comigo. Sou só a cartomante. São os espíritos quem definem o preço de cada consulta” a cartomante tragou seu longo e fino cigarro francês.

“Então… faz o que deve fazer aí e me diz logo como estão as coisas.”

E a cartomante fez seu jogo.

“A Sacerdotisa invertida, o Louco e o Cavaleiro de Paus.”

“Que significa isso, mulher?”

“Significa que você deve esquecer quem quer que você esteja tentando cortejar. Mas talvez você consiga atrair essa pessoa, apesar de tudo tender ao fracasso.”

“Posso jogar de novo?

“Sim.”

E fez seu jogo.

“Oito de Espadas, Três de Ouros e… a Morte invertida. Como eu disse, pare antes que você se ferre.”

26 5 / 2012

Acta est fabula (A peça acabou)

Consumiu-me por um tempo, de modo estranho, verdadeiro, forte, presente, perigoso. Mas ao mesmo tempo que me consumiu, me orientou. Estranho é pensar que no fundo a gente nunca desiste: a esperança não é a última que morre; ela é a única que não morre: o desaparecer da esperança se dá no instante único e imutável da morte.
Quem somos nós?
O que somos nós?
Quando me dizem que não conseguem fingir eu penso que talvez nem percebam que fingem quase que o tempo todo - e talvez todo ele. Aliás, teve algum dia na tua vida em que você não fingiu? Um sorriso, um olhar, uma risada, um (e esse é clássico) “estou bem”.
Já não sei quais são as palavras certas pra poder usar. Já não sei se minha máscara desmascaradamente nítida faz alguma diferença ou se ela se fundiu aos meus músculos, fazendo, enfim, parte de um aquele que já não sou eu.

26 5 / 2012

Anonymous asked: ooi Daniel, li uns textos aqui e adorei, parabéns :D

Obrigado.

04 5 / 2012

A lua do rei

E como se já não fosse suficiente ter escrito sobre o deserto, as pessoas, os amores e dores (e as rimas clichês, com sentimentos que além de rimarem se entrelaçam, rodam e dançam lado a lado), venho escrever sobre essa noite em que me enfiei lentamente.
Sinto muito por tudo. Sinto pelas minhas fraquezas, pela minha covardia e pela hesitação. É certo que muitos tinham razão ao tentar me incentivar a fazer o mais ousado. Eu, que nunca tive arrependimentos, passo a ter o primeiro: não ter dito.
Calar-se perante o óbvio é enfiar lentamente uma faca enferrujada no fundo de seu âmago; se a dor da facada e o sangramento não se encarregarem de te fazer conhecer o pior, o tétano provavelmente faça.
Gosto da noite porque suas temperaturas são geralmente mais afáveis; e a odeio mais ainda por ela não deixar que me vejam.
As lágrimas nos olhos refletem mais e mais minha insegurança - somos, muitas vezes, aquilo que queremos que se extinga nos outros.

26 4 / 2012

Fogo e cinza

Fogo

A estranha cicatriz
que veio de tua raiz
está cada vez mais perto
do topo do chafariz.

O estranho amargo
que veio da tua cicatriz
está cada vez mais perto
do topo do chafariz.

O estranho amargo
que veio do teu coração
está cada vez mais perto
do topo do chafariz.

O estranho som amargo
que veio do teu diapasão cada vez mais exerce pressão.

Cinza

As lágrimas
– pasmas –
causam minhas asmas
que assim vão de encontro ao plasma
que se esconde
debaixo da tua
asa.

17 4 / 2012

O Sonho de Morfeu

A Recepção

Estavam todos muito ocupados na recepção da clínica quando Morfeu passou pelo detector de metais da entrada, arrancando caretas dos guardas quando fez travar a porta giratória.

“Senhor, tire essa capa que o senhor está vestindo. Coloque todos os objetos metálicos que o senhor possui nesta caixa e coloque-a junto deles através desse buraco na parede.”
“Certo” disse Morfeu, com impaciência.

Tirou de seu bolso uma nuvem pequena e de aço, uma pequena gema de âmbar, um par de chaves de 40 centímetros cada, chaves todas trabalhadas com desenhos que pareciam formar labirintos quadrados que dançavam juntos conforme a luz da recepção refletia em seus corpos.
Colocou a caixa no buraco indicado pelo guarda e passou de novo pela porta giratória. Morfeu pegou seus objetos e foi até a recepção.

“Qual seu nome?”
“Morfeu.”
“Sobrenome? “
“Oneiros. Morfeu Oneiros.”
“Ok.” a recepcionista estranhou o nome, mas apesar de seus comentários mentais, permaneceu quieta.
“O senhor trouxe algum documento de identificação que comprove esses dados?”
“Não.”
“Então vou precisar do seu endereço, do nome da sua mãe e do nome do seu pai.”
“Avenue des Champs-Élysées, número 42 ½. Minha mãe é Nix Oneiros e meu pai Erebus Oneiros.”
“Certo. Aguarde sua vez. Te chamaremos pelo nome. “
“Obrigado.”

A Consulta

“Então, Morfeu, né? Nome bonito. Vamos começar. Qual é o seu problema?”
“Eu sonhei.”
“Certo. Sonhou com o quê?”
“Segure minha mão.”
“Ahm, tá…” a psicóloga fez o que Morfeu pediu.

O Sonho

Tudo escureceu. A última imagem que Gabriela Rigezzi teve foi de Morfeu beijando-a enquanto segurava sua mão.

“Preste atenção em tudo o que ver. Tudo. Não deixe escapar nada.” uma voz ecoava em seus ouvidos, ao mesmo tempo que o barulho de uma suave respiração calma.

Era manhã. Uma mesa redonda, doze pessoas: Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio.
Uma flecha acertou o crânio de Afrodite, que berrou. Todos se assustaram. A comida que estava na mesa se transformou em cobras, que mataram, em sequência, Zeus, Poseidon, Hefesto e Dionísio. Os outros deuses foram acertados por raios e foram desintegrados. Um mago de barbas longas se materializou a partir de um enxame de abelhas, junto de um cavaleiro vestido de uma armadura que parecia ser feita de escamas de peixe, branca, que reluzia como nunca se havia visto no mundo.

“Arthur! Recolha os corpos que restaram.” disse o velho mago.

Acordou assustada.

“MORFEU! Onde estão aquelas pessoas? Morfeu? Responda! Você tá bem?” a psicóloga berrava.

Os olhos de Morfeu ficaram brancos. Totalmente brancos. Sua roupa sumiu, deixando-o completamente nu. Sua boca passou a se mexer, tentando pronunciar palavras que não saíam.

“Qu-qu-quando Morf-f-eu sonha, os sonh-nhos se t-tornam realida-” um raio atingiu a cabeça de Morfeu; raio que veio através da tomada do consultório.

A psicóloga estava apática. O velho mago se materializou a partir de uma caneta, dentro do consultório.

“Vamos, Gabriela! Vai ficar parada aí esperando que o Olimpo caia sobre a Terra? As Moiras estão mortas! Quase todos estão mortos! Seu nome, a partir de hoje, será Nimue.” o velho falava e falava, deixando Gabriela ainda mais incrédula. Gabriela estava lembrando de livros gregos antigos que havia lido, estava associando as situações e nomes que haviam aparecido do nada em sua vida naquela manhã de sábado.

“Não vou. Não sou Nimue. Sou Tália.” puxou sua face, exibindo a máscara da comédia que estava costurada em seus músculos.

“Por que motivo, meu querido Merlin, está com essa fantasia de velho?”
“Pelo mesmo motivo, Tália, que você está fantasiada de humana.” e riu Merlin.

A Consulta 2

“Ahm, senhor. Senhor? Acorde. Você dormiu por uma hora.” disse Gabriela.
“Ah… me perdoe.” Morfeu abriu os olhos, desaparecendo e deixando um suave perfume de lavanda no ar.

14 4 / 2012

Condição Escalar de Existência ou Escala Condicional Matemático-Teológica

Criação: Daniel Vilhas
Participação: Edilson C. Takano Filho

Resumo:
Em um universo matemático (aquele que é regido pelas “leis da natureza”, sejam essas leis conhecidas pelos seres humanos ou não), fica logicamente definida a impossibilidade da existência de algo fisicamente maior do que tudo ou menor do que tudo, e numericamente mais alto que tudo e menos baixo que tudo.

O argumento aplicado a Deus (absoluto, maior do que tudo, consciente)

Deus e a matemática, segundo a Escala Condicional Matemático-Teológica, são de coexistência impossível. No universo matemático em que vivemos, onde nada é indivisível e sempre há algo além ou anterior, como na escala numérica, Deus é impossível. Logaritmicamente é irrelevante sabermos o que é maior ou menor, pois, se Deus existisse, ele seria um valor superior ou mais alto em qualquer escala, tal como no Espaço ele seria algo maior do que quer que ocupe tal valor. A escala física aplica-se novamente, por mais que algo ou Deus se colocasse no final de uma curva, ele jamais poderia ser seu final porque ela é infinita tanto para cima quanto para baixo do plano.

Então, qualquer tipo de deus é impossível?

Se definirmos as “medidas” de tal deus como sendo absoluto e maior do que tudo, sim, é impossível dentro do universo em que vivemos e perante as leis matemáticas (“A matemática é uma aplicação humana a uma lei já presente na natureza. É a expressão máxima da lógica. Razão áurea, proporção, equivalência, força física, etc. A ciência natural é assim.”*) que ele apresenta.

Contra-argumento
Ao deixarmos de definir medidas para tal deus ou deuses, ele se torna perfeitamente plausível. Dentro da filosofia, seria injusto afirmar que a matemática é a única verdade; você tem que considerar opções e mesmo que você não saiba quais exatamente são elas, estas têm que ser consideradas. É loucura e sem fundamento afirmar que, em outro universo (se existir), outras leis matemáticas não existam. Esse campo é muito mais profundo e extenso, e para fins práticos não vale a pena falar dele.
Voltando ao assunto original, uma pessoa que soubesse todas as fórmulas matemáticas presentes na Natureza, poderia ser considerada um deus. Mas esse nunca poderia ser um parâmetro absoluto, já que, por exemplo, um item vital ao ser humano (como o Sol), poderia ser considerado um deus do ponto de vista filosófico.

Crenças
Nada impede, porém, que alguém acredite que tal Deus exista. A matemática diz que 2 + 2 = 4, mas você não é obrigado a acreditar na matemática - apesar de que, ao negar a matemática como correta, isto é, dizer que é falsa, neste universo, você nega a sua própria existência, nada impede o ser humano de seguir pelo lado irracional de sua natureza; sendo ou não saudável psicologicamente.

Conclusão
Deus não existe se ele estiver submetido à matemática a que estamos. E não existe se ele compartilha de uma dimensão que esta matemática compartilha. Ele não existe se é afetado por qualquer matemática. E não existe se ocupa o mesmo espaço da forma que a matéria até onde estudamos faz. E, se ele não ocupa esse espaço, é irrelevante para todos os casos.

*Comentário por Edilson

09 4 / 2012

Carta de Despedida I

Esbarras. Tu esbarras e não olhas.
É como se visse sem olhar - mas eu olho. Olho pr’os cabelos que formam cachos tênues e desajeitados, mal-cortados porém chamativos como luzes parisianas numa noite de inverno. Perco-me em seus traços faciais familiares e em suas roupas quadriculadas que usas fora da época junina.
Que tipo de música cantariam seus fones de ouvido - que dos dois lados você aparentemente persiste em usar um só - em sua alma?
Que tipo de cócegas sua barriga sentiria ao escorregar como escorregastes naquele dia, encontrando dolorosamente - e engraçadamente, confesso - o chão azul-esporte daquele lugar?
Platão nos descreve como algo ideal, distante e improvável. Não espero provar que Platão errou.
Ficas aí que fico aqui, [ ], porque um dia tu esbarras e olhas. Ou talvez não?

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16 3 / 2012

Anonymous asked: Até hoje, nunca fez um texto sobre mim.

E quem é você? Sugiro que meu irmão.

11 3 / 2012

Morte especial ou “fate knocking on the door”

Você pode até não ser culpado por quase nada de ruim que aconteça na sua vida. Mas você poderia ter feito mais. E é isso o que você não enxerga e eu quero que enxergue. Ficar sentado esperando que o cosmos te dê respostas não te faz menos culpado de nada. Só te faz culpado, em todas as vezes, por omissão. E omissão é algo que me incomoda. Ou mudas da água pro vinho ou mudarás da água para o esgoto - te garanto que quem contribuirá com isso serei eu.
Talvez eu esteja cometendo um terrível erro ao prosseguir com algo que eu achei que seria certo por ter sido bom. Fingir que nada acontece quando se sabe que acontece é loucura. Escrevo direta e informalmente dessa vez porque acho que Woody Allen tinha toda a razão do mundo ao ser tão idiota como foi em toda sua vida medíocre.

22 2 / 2012

E…

ele morreu.

22 2 / 2012

A Arábia: parte dois

1: A ideia

Por mais estranha que me pareça a ideia, penso no suicídio. O cessar total de minha existência; da consciência que me habita agora, das experiências que tive, dos amores que nutri e nutro por todos que algum dia me encantaram - alguns, se foram; outros, permanecem. Seria o cessar da existência tudo o que eu preciso para que as pessoas tenham ideia de quem realmente me importava?

“Por mais que queiramos impressionar ou confortar alguém, não existe nada além de nós mesmos no fim das contas. Não tem.”
- Edilson C. Takano Filho

A parte só sua, que só você administra, no meu ponto de vista, tem que ser parte de mim. E você não quer isso. Você não quer abdicar da sua liberdade única e inexorável. Pois te direi, pela primeira vez em minha vida, algo que nunca disse a ninguém: eu sou inexorável, assim como o teu e o meu destino.

Wyrd bið ful aræd. O destino continua totalmente inexorável. Mas o destino não existe.

Tu existes e isso foi o que me importou até agora. Minha ideia será, certamente, executada.

2: A conversa

– Você não vai se matar.
– Por que acha isso?
– Você sabe por que a maioria das pessoas não se matam? Porque fazer as coisas é legal. E, quando se morre, você não pode fazer absolutamente nada. A ideia da inexistência nos perturba mais do que qualquer outra coisa na face do universo. Por isso foram criados os deuses.
– E se eu te dissesse que eu não me importaria de não fazer nada?
– Então se mate. Você não vai saber que está morto, de qualquer modo. Será como se nunca tivesse existido. Só quem vai se preocupar com você morto é quem ainda está vivo.
– Você choraria se eu morresse?
– Muito.
– Perdão.

21 2 / 2012

A Arábia

1: A visita

No meio do verão em que minha mente se encontra, em meio a todos os pensamentos quentes e abafados, encontrei o inverno. Encontrei-o como se fosse amigo de longa data, daqueles amigos que fica sem se ver durante tempos e tempos e só se vê uma vez por ano mas que você ama com tanta convicção que daria sua vida e tudo o que viesse com ela embora só pra ter seu reconhecimento. Aqueles amigos do tipo Muri.
Enquanto conversávamos, como se já não fosse estranho nosso encontro fora de época, percebi que ele havia mudado. Disse-me que eu teria que entender que algumas pessoas, como ele, gostavam da solidão e da frieza que seus cobertores quentes revelavam.
Revoltei-me: a solidão não faz e nunca fez sentido, por mais que em certa época de minha vida eu a tenha acolhido. Ficar sozinho não faz sentido. E se faz pra alguém, há algo de errado. A solidão parece que combina, que acolhe, que aconchega: mas só corrompe. Que graça há na solidão? Eu sem elas e eles não seria nada. Você também não será.
Depois de toda minha revolta, caí em lágrimas e tentei usar de toda empatia que eu poderia para tentar entender o que faria alguém querer a solidão. A solidão pode ser sinal de afeto; as pessoas querem constantemente poupar as outras das coisas más porque as amam. Mas não fazem, as coisas más, parte da vida? Claro que o fazem! Deixe que aconteçam as coisas más, oras - não todas, decerto.
Não tenho coragem de te deixar só. Porque amo-te. Amando-te, sou incapaz de exercer a solidão em seu malefício. Posso estar errado? Sim, posso. Mas não quero pagar para ver e acabar estando errado em te deixar só. Estou com medo de sofrer tanto de novo.

2: A conversa

— Peixe?
— Peixe.
— E era grande?
— Muito. Quase me derrubou do barco.
— Não pediu ajuda, não?
— Não, não. Falei com ele e amansou certinho o bicho.
— Falar com peixe? Eu sabia que você não batia bem dos cocos.
— Para com isso!
— Te amo.
— Eu também.

08 2 / 2012

incand:

A alta armada ansiosa aguarda
até a pátria na alegoria ampara
c’a fina espada se assina carta
na pedra baixa ela aspira a lata

Eu esperei este ermo estame
que era e esperava-se eterno
era eu estando errado e ele
ele estava no ébrio embate

Inimigo de inimigo irriga o ringue
o impasse é amigo…

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