12 10 / 2011

V and the Polly’s crossover

V wants a cracker
I Think I should get off h(er)im first
(N)
I think (s)he wants some water
To put out the blow torch

V wants a cracker
Maybe (s)he would like some food
(S)He asked me to untie h(er)im
A chase would be nice for a few

V* said…
V says h(er)is back hurts
(S)He’s just as bored as me
(S)He caught me off my guard
It amazes me, the will of instinct.

the will of instinct.

05 10 / 2011

Sahl 1 do livro branco.

Ah, Salvia Sagrada;
Ah, grandes tesouros de Uther.
Proteja-nos,
clamo-vos, ó deuses,
que acordem de seu eterno sono.
Pelos poderes de Merlin, a coruja lunar: os invoco.
Que desçam.

05 10 / 2011

Profecias de Marco Áureo

I
pessoas na esplanada da corrupção,
tentando de modo estranho
mudar o futuro da nação.

pessoas com seus tanques cheios de emoção
tentando de modo estranho
mudar o futuro da nação

pessoas - sem noção
tentando mudar o futuro da nação.

II
os humanos são desumanos
e em desumanidade morrerão
seja por formigas
ou por chinas
ou por cavaleiros
ou por eles mesmos.

III
morte ao negro.
morte ao indiano e ao caucasiano.

01 10 / 2011

Sua própria plantação de nonaníma

Era inútil a conversa, era inútil a explicação, o carinho, o amor, a segurança, a certeza-não-tão-certa. Não que todos os humanos aceitassem esse conjunto de coisas como o mel doce regurgitado da própria Perséfone, mas especialmente essa garota, especialmente essa garotinha que teria uma vida tão sofrida no futuro, não aceitava. A explicação não era algo que descia por sua garganta como água. A explicação era algo que descia como rocha.

Então, ignorava-a. Se falhassem com ela, com a menina, era uma vez só. Não havia desculpas, não havia “depois” nem “talvez”; era, simplesmente e decididamente, o fim. E era mimada: se não fizessem seus gostos emburrava e virava a cara pra nunca mais desvirar. Nunca mais.
Mas não a culpe por isso, coitada. Estuprada, enganada e iludida pelo pai. O que mais você poderia esperar de uma garota assim? Garota que perdeu a virgindade aos seis anos de idade, a dignidade aos sete e a paciência aos treze.

Largou tudo e foi trabalhar. De secretária. Estuprada pelo patrão. Melissa se matou. E, quando chegou ao inferno, se surpreendeu.

O inferno não é um lugar tão quente, afinal. Digamos que seja, sim, quente, mas nada que se equipare ao deserto do Atacama ou do Saara. Havia uma estrada. Uma longa, longa estrada. E nessa estrada havia uma fila. Uma fila que dava num portão gigante com uma porta pequenina no centro; ao lado dessa porta, estava uma escrivaninha. Em cima da escrivaninha, um cachorro de três cabeças em miniatura – vivo. Um homem estava sentado atrás da escrivaninha: com um vestido longo, mal cortado e malcheiroso. Todos os funcionários do inferno eram obrigados a usar vestidos amarelos mal cortados e malcheirosos. Nada preto. O Diabo não gosta de preto. Gosta de amarelo, cor-de-rosa e laranja. E essas eram as cores-enfeite do inferno.

Chegou a vez da menina. Sentou-se ao lado da escrivaninha, de frente para o homem.

- Sua IGe (Identificação Galáctica eterna) é 11100110-DW42-cardja. Você está morta, se ainda não percebeu. Isso aqui é o Centro para Recuperação d’Anima. CRA, mais conhecido como “inferno”. Mas não se preocupe: não tem demônios com tridentes nem fogo. Aliás, fumar aqui é proibido. O Sr. Diabo marcará uma consulta e você será chamada ao local onde a mesma ocorrerá. E depois você escolhe se quer reencarnar como um broto de feijão ou como um papagaio.
- Mas…
- PRÓXIMO!

20 9 / 2011

Há pouco tempo [atrás]

Ainda ontem, tinha meus vinte anos. Acariciava o tempo e brincava de viver como se brinca de namorar e vivia a noite sem considerar aqueles meus dias que se escorriam no tempo.
Fiz projetos que nunca saíram do papel; alimentei tantas esperanças que estas bateram asas; alimentei tantas esperanças que hoje permaneço perdido sem saber aonde ir; os olhos a procurar o céu, mas meu coração sempre posto na Terra.
Desperdiçava o tempo acreditando qu’eu o fazia parar: e pra isso - e até ultrapassá-lo -, só fiz correr e me esfalfar, ignorando o passado que me conduz ao futuro. Precedia de mim qualquer conversação e opinava que eu queria o melhor por criticar o mundo com tanta desenvoltura.
Mas perdi meu tempo a cometer loucuras que, no fundo, não me deixam nada de realmente concreto e palpável além de algumas rugas na cara e o medo do tédio.
Porque meus amores morreram antes de existir, meus amigos partiram e não mais retornarão: por minha culpa eu criei o vazio em torno a mim e gastei minha vida e meus anos de juventude do melhor e do pior descartando o melhor. Imobilizei meus sorrisos e congelei meus choros.
Onde estão agora meus vinte anos?

baseado em Hier Encore, por Charles Aznavour

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19 9 / 2011

Você

Você
Pode ser o rosto que nunca quero esquecer,
um traço de prazer ou arrependimento
Pode ser meu tesouro ou o preço que tenho que pagar;
pode ser a música que o verão canta,
pode ser o gelo que o outono traz,
pode ser infinitas coisas
num só dia.

Você
Pode ser a bela ou a fera,
a fome ou o banquete,
Pode fazer meu dia se tornar o paraíso ou o inferno,
pode ser o espelho dos meus sonhos,
um sorriso refletido num riacho
pode não ser o que parece ser
dentro de sua conchinha

Você, que sempre parece tão feliz no meio da multidão,
Cujos olhos podem ser tão introspectivos e orgulhosos,
ninguém - além de mim - está autorizado a vê-los chorar,
Pode ser o amor que não pode esperar pra durar
Pode vir a mim das sombras do passado
que lembrarei até o dia de minha morte.

Você
Pode ser a razão pela qual sobrevivo,
o porquê e o motivo d’eu estar vivo
quem eu vou cuidar através dos tempos,
Eu, vou pegar suas risadas e suas lágrimas
e transformar tudo em souvenirs
Para onde fores, terei que ir
E o sentido da minha vida é…

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19 9 / 2011

Caetano e suas ovelhas

Era um homem muito sábio, o tal Caetano. Mas era um cara tão chato que só de chegar perto de uma boceta, ela coçava.
confusão confusão confusão.
existe algum hormonio da confusao?
Confusionina, deve chamar-se.
confusao confu~sao confus
nao stou muito bem

11 9 / 2011

e

Sou humano e preciso ser amado - como todo mundo precisa também. Então não se faz de pessoa fria e calada e reclusa e maléfica que isso - comigo - não cola.

11 9 / 2011

musicboxing asked: jones, pára de ser lindo e escrever tão bem. hunf.

Só quando você pintar seu cabelo de preto-jabuticaba.

08 9 / 2011

haikai próspero da chuva

Seja ácida ou gelada,
ou até mesmo inesperada,
é, de fato, melhor que aquela tal marmelada.

08 9 / 2011

Mônica e as batatas

Eram lindos dias de Sol. Mônica amava cozinhar para seu marido - Cláudio - que amava que Mônica cozinhasse para ele.
Os dois moravam juntos havia apenas três dias: se casaram, meteram na lua de mel - o que todo casal faz, convenhamos (exceto os lesados) e Mônica estava grávida mas ainda nem sonhava com isso; nove meses que Mônica gastaria sentada descascando batatas esperando seu marido voltar do bar da esquina todos os dias. Ele não era alcoólatra, por favor não se engane. Cláudio era psicólogo e amava as batatas de sua mulher - tanto as batatas de suas sensuais pernas como as que cozinhava - e só ia ao bar para observar o comportamento humano. Marcava tudo numa agenda. Tinha nomes, horários, desenhos de rostos, anotações de falas.

Mônica morreu no parto. Cláudio morreu de susto ao ver Mônica morrendo.

Uma das enfermeiras que ajudou no parto, Fátima, era também empregada doméstica. Limpava a casa de um velho tarado - com quem, naturalmente, também metia (além de seu ex-marido e de seu irmão). Tal velho tarado morava num casarão gigantesco na Rua de Epinefrígonas, no centro de uma cidade no Pernambuco. Como o velho não enxergava direito, Fátima limpava porcamente os móveis, chão e paredes da casa - e o velho mal percebia, porque na verdade estava mais interessado mesmo em meter com Fátima. O velho morreu. Deixou o casarão de herança para sua empregada doméstica, uma caixa de joias e um filho na barriga.

Fátima não morreu no parto, mas evidentemente não perdeu a oportunidade de abandonar o filho logo que o nojentinho desmamou. Cada vez que o ranhento grudava nas tetas da “Tia ‘tima” era como se estivesse sugando o Sol e o cometa Elenin pelos bicos das glândulas mamárias da mulher.

Fátima deu o nome de Tirapinumbo para o menino, tentando expressar sua raiva diante da capacidade de sucção do menino. Fátima o deu embora. Fátima morreu, literalmente, de arrependimento (pouco mais de duas horas depois de ter dado o filho embora).

Mas nesse momento, Numbinho, como gostava de ser chamado quando chegou na adolescência, já estava num carro em direção ao Uruguai. Lá, foi batizado como “Tirap’ Numbo Ojeda di Orleano i Colzza”.

Tirap’, na adolescência, tinha um estranho jeito de conseguir não explorar o mundo quando estava amando alguém.

Acontece, que para ele, quando se tinha alguém pra se pra se partilhar a vida, a alma e os corpos, quando se tinha alguém pra te descascar batatas enquanto você não voltava do bar, quando se tinha um ranhentinho pra mamar em suas tetas até secarem e caírem, quando se tinha o amor, se tinha tudo. Se tinha uma ilha só sua e dela ou dele pra se explorar. E quem vai querer viajar até os Andes quando há um continente todo grudado em seu corpo pra que você tateie, explore, molde e sussurre como quiser?

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07 9 / 2011

-20 Atacama

Já há muito o garoto caminhava pelo deserto. Sua boca estava seca, e seu corpo fraquejava mais e mais a cada passo que ele dava em direção ao leste. O sol nascente, por mais brilhante e amarelo que fosse, não esquentava seu corpo. Pelo contrário, o frio no Deserto do Atacama era proporcional ao seu tamanho: incalculável. Mesmo as 4 camadas de roupas que usava pareciam feitas de jornal, e não de lã. Ninguém podia entender como esse lugar era tão frio, afinal.
O deserto do Atacama estava gelado. Era um fato curiosamente improvável. Mas, mesmo que um fato carregado com toda a improbabilidade possível em cada grão minúsculo de areia, era um fato.
Fato este que de modo algum poderia ser ignorado ou amenizado: o deserto mais quente do planeta estava gelado. Não que fosse alguma anormalidade sobrenatural, mas concordemos que isso era tão estranho quanto um certo messias de alguns mil anos atrás fazer com que água virasse vinho - na verdade, nada é tão estranho quanto água virar vinho.
Havia um jovem. Caminhando. No meio do deserto do Atacama. Outro fato curioso. Minhas histórias são cheias de fatos curiosos e improváveis, na verdade.
Podemos, novamente, concordar em algo: alguém caminhar no deserto do Atacama já era suficientemente estranho quando ele estava quente. Agora imagina aqui, comigo, esse mesmo deserto - mas frio. Eu, particularmente, não caminharia por ele. Ainda mais porque fazia -20 graus Celsius.

06 9 / 2011

Isso dói.

Sou um aldrube.
Sou aldrube.
Aldrube estou.

Isto dói. Abre os olhos e principalmente teu coração. Abre o coração e os olhos, deixe que eu entre. Em ambos. Porque cada palavra, cada gesto, cada toque e cada suspiro (cada, cada, cada) significa um romance, uma novela, um drama, uma comédia (uma, uma, uma). Várias (várias, várias) melodias. Mas um só coração.

Ou até mesmo dois batendo em ritmos diferentes mas transmitindo em frequências iguais. Dos sonhos (os teus e os meus) que se configuram tristes e inertes.

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04 9 / 2011

Clarisse.

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado; quem diz que me entende nunca quis saber. Aquele menino foi internado numa clínica; dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças, dos sonhos que se configuram tristes e inertes. Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete, deitada no canto, seus tornozelos sangram. E a dor é menor do que parece; quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter da vida calma e força.
Viver em dor, o que ninguém entende; tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi.
Quando mais uma ocorrência policial.
Ninguém entende, não me olhe assim com este semblante de bom-samaritano, cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente, como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente. Nada existe pra mim, não tente. Você não sabe e não entende.
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sabe que a loucura está presente. E sente a essência estranha do que é a morte: mas esse vazio ela conhece muito bem.
De quando em quando é um novo tratamento mas o mundo continua sempre o mesmo; o medo de voltar pra casa à noite.
Os homens que se esfregam nojentos no caminho de ida e volta da escola; a falta de esperança e o tormento de saber que nada é justo e pouco é certo e que estamos destruindo o futuro e que a maldade anda sempre aqui por perto; a violência e a injustiça que existe contra todas as meninas e mulheres.
Um mundo onde a verdade é o avesso e a alegria já não tem mais endereço.
Clarisse está trancada no seu quarto com seus discos e seus livros, seu cansaço.
Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola e esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola. Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito. Clarisse só tem 14 anos.

Renato Russo.

30 8 / 2011

The long and winding road / A longa e tortuosa estrada

A longa e tortuosa estrada
que leva até sua porta
nunca irá desaparecer.
Vi essa estrada uma vez;
ela sempre me trás até aqui,
até a sua porta.

A noite selvagem e tempestuosa
que a chuva levou embora
deixou uma piscina de lágrimas
chorando pelo dia.
Por que me deixar aqui?
Deixe-me saber o caminho.

Muitas vezes fiquei sozinho
e muitas vezes chorei.
De qualquer modo, você nunca saberá
de quantos modos eu tentei.

Mas ainda eles me levam de volta
para a longa e tortuosa estrada.
Você me deixou aqui, esperando,
há muito tempo atrás.
Não me deixe aqui esperando,
leve-me para a sua porta.

Mas ainda eles me levam de volta
para a longa e tortuosa estrada.
Você me deixou aqui, esperando,
há muito tempo atrás.
Não me deixe aqui esperando,
leve-me para a sua porta.

The Long and Winding Road - Lennon/McCartney