20 9 / 2011
Há pouco tempo [atrás]
Ainda ontem, tinha meus vinte anos. Acariciava o tempo e brincava de viver como se brinca de namorar e vivia a noite sem considerar aqueles meus dias que se escorriam no tempo.
Fiz projetos que nunca saíram do papel; alimentei tantas esperanças que estas bateram asas; alimentei tantas esperanças que hoje permaneço perdido sem saber aonde ir; os olhos a procurar o céu, mas meu coração sempre posto na Terra.
Desperdiçava o tempo acreditando qu’eu o fazia parar: e pra isso - e até ultrapassá-lo -, só fiz correr e me esfalfar, ignorando o passado que me conduz ao futuro. Precedia de mim qualquer conversação e opinava que eu queria o melhor por criticar o mundo com tanta desenvoltura.
Mas perdi meu tempo a cometer loucuras que, no fundo, não me deixam nada de realmente concreto e palpável além de algumas rugas na cara e o medo do tédio.
Porque meus amores morreram antes de existir, meus amigos partiram e não mais retornarão: por minha culpa eu criei o vazio em torno a mim e gastei minha vida e meus anos de juventude do melhor e do pior descartando o melhor. Imobilizei meus sorrisos e congelei meus choros.
Onde estão agora meus vinte anos?
baseado em Hier Encore, por Charles Aznavour
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