10 12 / 2011
Morietur solus.
Te olha da cabeça aos pés. Debocha. Elogia?
Se tens um amor que seja perfeito, liso, bonito, tudo bem: mas saiba que não vai durar. Não falo do amor, mas sim da consistência e da estabilidade. O amor dura sim. Dias, meses, anos, décadas. Podes até morrer com ele. Morrer com ele é claramente diferente de morrer por ele.
Quem morre de amor, morre sozinho. Eu juro que não estou querendo dar um ar sombrio, estranho e negativo pro amor: na verdade, não é isso. Estou só querendo dizer para que tome cuidado. Para que tome muito cuidado. Lidar com pessoas já é extremamente difícil. Lidar com a pessoa com quem se compartilha o “tudo” é mais difícil ainda.
Por exemplo: se olhe no espelho. Esse é você. Mas esse não é o “ele”.
Mudando de assunto… eu não estou mais conseguindo escrever. Escrevo e me vejo insignificante com minhas cinco ou seis linhas. Me sinto completamente insignificante; Eu escrevo por auto-ajuda e por ajuda. Escrevo por diversão. Por… prazer. Não sinto mais vontade de me ajudar. Não sinto mais vontade de ajudar. Não me divirto mais. Não tenho mais prazer. E eu não queria que fosse assim. Não mesmo. Queria continuar escrevendo, e escrevendo. Porque sinto, aqui no fundo, que alguns de vocês gostam disso. Que alguns de vocês se ajudam, compreendem. Mas não sei se isso é verdade. E acho que descobrir que a verdade é o contrário seria… decepcionante. Não vou parar de escrever, sabe? Mas a frequência com que escrevo vai diminuir (sim, mais) ou quem sabe aumentar. É tudo tão incerto quando se fala de mim mesmo.
Estou um pouco decepcionado comigo mesmo. Não me sinto suficiente. Parece que não sei mais completar, só sei ser completado. Isso não é bom; as pessoas exigem que eu as complete de vez em quando. E eu estou sentindo como se não soubesse mais fazer isso. Há algum tempo atrás, eu botaria a culpa de eu não conseguir mais escrever no verão e na sua temperatura irritantemente alta. Mas isso não adianta mais. Culpar as estações do ano pelas suas incapacidades é, no mínimo, infantil.
Antes de escrever esse texto, eu estava quase chorando. Mas não: não tem nada a ver com o que está escrito aqui. Tem a ver com umas coisas que acontecem diariamente comigo.
Estou com medo. Muito medo. Não medo de barata ou de aranha ou de cobra ou da morte: tenho medo de mim mesmo. Como alguém com medo de si mesmo pode completar alguém?