22 2 / 2012

A Arábia: parte dois

1: A ideia

Por mais estranha que me pareça a ideia, penso no suicídio. O cessar total de minha existência; da consciência que me habita agora, das experiências que tive, dos amores que nutri e nutro por todos que algum dia me encantaram - alguns, se foram; outros, permanecem. Seria o cessar da existência tudo o que eu preciso para que as pessoas tenham ideia de quem realmente me importava?

“Por mais que queiramos impressionar ou confortar alguém, não existe nada além de nós mesmos no fim das contas. Não tem.”
- Edilson C. Takano Filho

A parte só sua, que só você administra, no meu ponto de vista, tem que ser parte de mim. E você não quer isso. Você não quer abdicar da sua liberdade única e inexorável. Pois te direi, pela primeira vez em minha vida, algo que nunca disse a ninguém: eu sou inexorável, assim como o teu e o meu destino.

Wyrd bið ful aræd. O destino continua totalmente inexorável. Mas o destino não existe.

Tu existes e isso foi o que me importou até agora. Minha ideia será, certamente, executada.

2: A conversa

– Você não vai se matar.
– Por que acha isso?
– Você sabe por que a maioria das pessoas não se matam? Porque fazer as coisas é legal. E, quando se morre, você não pode fazer absolutamente nada. A ideia da inexistência nos perturba mais do que qualquer outra coisa na face do universo. Por isso foram criados os deuses.
– E se eu te dissesse que eu não me importaria de não fazer nada?
– Então se mate. Você não vai saber que está morto, de qualquer modo. Será como se nunca tivesse existido. Só quem vai se preocupar com você morto é quem ainda está vivo.
– Você choraria se eu morresse?
– Muito.
– Perdão.