08 7 / 2011

Baunilha, Caramelo e Anis.

Todos os dias o menino dormia e imediatamente acordava no mesmo exato lugar onde havia dormido. Um fato estranho era que nesse mundo não havia pessoas. Levantava da cama, abria todas as janelas da casa e saía correndo pela porta como se não houvesse nada que o impedia - não havia. Uma das coisas diferentes nesse mundo era que havia uma estação de trem logo em frente ao lugar onde o menino vivia.

Sentava num dos bancos da estação e já podia ver o trem, lá longe. Era um trem comprido, prateado e bem lento - mas era bem moderno, tanto por dentro como por fora. Não havia condutor. O menino entrava no trem. O trem dava voltas e voltas, chacoalhando violentamente apesar da baixa velocidade. Já o menino, se divertia. Era jogado de um extremo ao outro da cabine de passageiros, e dava gargalhadas e não sabia se aquilo era sonho ou realidade. Aquele, talvez fosse seu mundo de brinquedo. Ou o outro mundo fosse um mundo de brinquedo - mas com um tom maior de realidade.

Não era o primeiro “mundo” desse tipo em que era jogado após dormir. E o pior de tudo é que o tempo naqueles mundos passavam mais devagar do que no mundo mais concreto. O sono de 6 horas se tornava dias de 27 horas. O trem ia e voltava. Sempre o mesmo percurso. O menino se cansava.

Quando o trem parou na estação, resolveu descer, finalmente. Sentou-se em um dos bancos da estação. Teve vontade de urinar. Começou a esfregar a genitália desesperadamente. Já que naquele mundo não havia ninguém, que mal teria se mijasse ali mesmo, na estação? E o fez - ou tentou. Tirou o pinto pra fora e fez força pra que a urina saísse. Não saiu. Só havia um maior desconforto, como se a bexiga se inflasse mais e mais e mais e mais…

Abriu os olhos - no mundo concreto, desta vez. Estava excitado. E quase mijando nas calças. Se descobriu e saiu correndo igual louco até o banheiro. [estou experimentando novos tipos de prosseguimento das histórias]