25 8 / 2011
A Criação do Fogo
Todos já estavam muito bem agitados com a notícia anterior. Notícia que dizia claramente: o Portador do Sol havia caído. Novas eleições teriam que ser feitas - e rápido. Porque o Sol não é algo que pode ficar zanzando por aí sem rumo. É meio perigoso - perigoso o suficiente para interessar aos Portadores de Plutão.
Digamos que os que sempre possuíram as sombras agora queriam se apoderar da luz. E você pode achar sim que estou usando metáforas e mentiras pra contar de tudo isso: mas não!
Estou contando sobre uma época onde, em determinadas partes do vácuo, as leis físicas não reinavam. E olha que estou contando sobre o fim dessa época; porque o começo e meio dela foram bem turbulentos.
Uma época onde estrelas frias, Deus, o Diabo e diabretes eram possíveis. Alguns estudiosos relatam que essa época só acabou em razão da expansão do universo e que não é que não existiam as leis físicas, mas que elas eram “meio diferentes” do que são agora. Passado desses pontos, posso começar a explicar o que realmente vim explicar.
(A criação do fogo. Existe uma história, bem antiga, que dizia que Prometeu havia roubado o fogo de Zeus e oferecido aos homens. A história diz, também, que Zeus condenou Prometeu a ser amarrado num rochedo, onde um abutre viria comer seu fígado de tempos em tempos. Mas o fogo ainda estava com os homens. E Zeus, não satisfeito com o castigo de Prometeu, ordenou que Hefesto criasse uma mulher belíssima chamada Pandora; Zeus presenteou Pandora com uma caixa toda ornamentada, e deu ordens de que Pandora, quando fosse ao mundo dos homens e se casasse, desse a caixa como presente de casamento ao marido que arranjasse. Dentro da caixa, todo o mal do mundo havia - note que nessa época o mundo dos homens era desprovido do mal e das coisas ruins -, e, assim que o homem abrisse a caixa, a desgraça cairia sobre o mundo humano. A história é totalmente coerente, mas não diz como o fogo foi criado. Diz apenas como o fogo chegou até os humanos.)
Os seres em tal época, não se pareciam com os seres do século vinte e um. Imagine que ao mesmo tempo que hoje existem criaturas com braços, pernas e narizes, naquela época existiam apenas as criaturas primordiais. Criaturas, estas, que não sei se “ser vivo” serviria de definição. Mas pensavam. Eram mais como pequenos feixes de luz desordenados que tinham um universo pra tomar conta.
E, dentre todos os tipos de feixe, existiam treze tipos especiais. A história que conto se refere a apenas dois deles. Portador do Sol e Portadores de Plutão. É um fato conhecido que essas duas “raças” nunca se deram muito bem. Um cuidava da iluminação do tudo e os outros, de regular essa iluminação. O sonho dos Portadores de Plutão era que essa regulagem fosse feita totalmente a critério deles - e um dia foi, e sabe o que aconteceu? criou-se a Galáxia de Andrômeda.
Até que o Portador do Sol caiu. E não houve eleições. Os Portadores de Plutão também caíram. E uma batata voadora, que ninguém sabia o que deveria estar fazendo ali, pegou fogo. E Zeus, que estava passando ali por perto só por não ter o que fazer guardou tal batata flamejante.
O fogo de Zeus era apenas uma batata flamejante. Nada de gravetos nem de lava (aliás, a lava foi outro acidente do Olimpo que um dia ainda terei a chance de contar, um acidente que envolve calcinhas de Athenas e a impaciência de Afrodite).
- Juan de Mena, para o Informe Galático.
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