<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><atom:link rel="hub" href="http://tumblr.superfeedr.com/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"/><description>porque quando suas calças caem, todos ficam sabendo.</description><title>minhas calças caíram</title><generator>Tumblr (3.0; @mypantsfell)</generator><link>http://www.danielvilhas.com/</link><item><title>A Arábia: parte quatro</title><description>&lt;p&gt;1: A liberdade&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É de opinião comum que a maioria de nós busca a liberdade. Mas Catarina era um pouco diferente, buscava sua prisão. Por quê? Essa era uma pergunta que muitas vezes ela mesma se fazia. Catarina tinha medo por não temer tanto quanto os outros: e isso a fazia medrosa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Às vezes você me pergunta por que sou tão calada. Eu sou mesmo?&amp;#8221; disse Catarina.&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Você é calada duplamente, minha querida. Quando se tem duas caras você precisa tomar o cuidado de calar duas bocas.&amp;#8221; disse o Diabo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando morreu, Catarina não passou nem perto da barca sagrada de Gil Vicente. Em vida, fez questão de fingir estar conformada e acostumada; mas não adiantava: Catarina era de Gêmeos, no sentido quase que literal que o signo elucida.&lt;br/&gt;
Esqueceu o Diabo, escorpiano de longa data, de tomar cuidado com ela. Catarina era e se fazia parecer noiva do Demônio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;2: A verdade&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A verdade era que o Diabo raramente falava a verdade. Tinha namoradas e namorados aos montes, mas no fundo sabia que seu amor emanava perto de somente alguns deles. O Diabo gostava do Louvre. E da sinceridade [com que] que muitas vezes lhe faltava(m).&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/24166883595</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/24166883595</guid><pubDate>Thu, 31 May 2012 22:27:39 -0300</pubDate><category>diabo</category><category>amor</category></item><item><title>A Arábia: parte três</title><description>&lt;div class="figura"&gt;
  &lt;p&gt;&lt;img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/94/Pandora.jpg" alt="Pandora, por Jules Joseph Lefebvre, 1882, coleção privada"/&gt;&lt;/p&gt;
  &lt;p&gt;Pandora, 
por Jules Joseph Lefebvre, 1882.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;em&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;1: A Cartomante&lt;/big&gt;&lt;/big&gt;&lt;/em&gt;&lt;/b&gt;

&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;#8220;Próximo.&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Quanto é a consulta?&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Isso não é comigo. Sou só a cartomante. São os espíritos quem definem o preço de cada consulta&amp;#8221; a cartomante tragou seu longo e fino cigarro francês.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Então&amp;#8230; faz o que deve fazer aí e me diz logo como estão as coisas.&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E a cartomante fez seu jogo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;A Sacerdotisa invertida, o Louco e o Cavaleiro de Paus.&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Que significa isso, mulher?&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Significa que você deve esquecer quem quer que você esteja tentando cortejar. Mas talvez você consiga atrair essa pessoa, apesar de tudo tender ao fracasso.&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Posso jogar de novo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Sim.&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E fez seu jogo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Oito de Espadas, Três de Ouros e&amp;#8230; a Morte invertida. Como eu disse, pare antes que você se ferre.&amp;#8221;&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/18154522736</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/18154522736</guid><pubDate>Sat, 26 May 2012 01:59:00 -0300</pubDate></item><item><title>Acta est fabula (A peça acabou)</title><description>&lt;p&gt;Consumiu-me por um tempo, de modo estranho, verdadeiro, forte, presente, perigoso. Mas ao mesmo tempo que me consumiu, me orientou. Estranho é pensar que no fundo a gente nunca desiste: a esperança não é a última que morre; ela é a única que não morre: o desaparecer da esperança se dá no instante único e imutável da morte.&lt;br/&gt;
Quem somos nós? &lt;br/&gt;
O que somos nós?&lt;br/&gt;
Quando me dizem que não conseguem fingir eu penso que talvez nem percebam que fingem quase que o tempo todo - e talvez todo ele. Aliás, teve algum dia na tua vida em que você não fingiu? Um sorriso, um olhar, uma risada, um (e esse é clássico) &amp;#8220;estou bem&amp;#8221;.&lt;br/&gt;
Já não sei quais são as palavras certas pra poder usar. Já não sei se minha máscara desmascaradamente nítida faz alguma diferença ou se ela se fundiu aos meus músculos, fazendo, enfim, parte de um aquele que já não sou eu.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/23779454517</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/23779454517</guid><pubDate>Sat, 26 May 2012 01:42:00 -0300</pubDate><category>Curtas</category><category>máscara</category><category>peça</category><category>fim</category><category>morte</category><category>esperança</category><category>amor</category><category>fingir</category><category>dor</category><category>palavras</category></item><item><title>ooi Daniel, li uns textos aqui e adorei, parabéns :D</title><description>&lt;p&gt;Obrigado.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/23778251501</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/23778251501</guid><pubDate>Sat, 26 May 2012 01:19:28 -0300</pubDate></item><item><title>A lua do rei</title><description>&lt;p&gt;E como se já não fosse suficiente ter escrito sobre o deserto, as pessoas, os amores e dores (e as rimas clichês, com sentimentos que além de rimarem se entrelaçam, rodam e dançam lado a lado), venho escrever sobre essa noite em que me enfiei lentamente.&lt;br/&gt;
Sinto muito por tudo. Sinto pelas minhas fraquezas, pela minha covardia e pela hesitação. É certo que muitos tinham razão ao tentar me incentivar a fazer o mais ousado. Eu, que nunca tive arrependimentos, passo a ter o primeiro: não ter dito.&lt;br/&gt;
Calar-se perante o óbvio é enfiar lentamente uma faca enferrujada no fundo de seu âmago; se a dor da facada e o sangramento não se encarregarem de te fazer conhecer o pior, o tétano provavelmente faça.&lt;br/&gt;
Gosto da noite porque suas temperaturas são geralmente mais afáveis; e a odeio mais ainda por ela não deixar que me vejam.&lt;br/&gt;
As lágrimas nos olhos refletem mais e mais minha insegurança - somos, muitas vezes, aquilo que queremos que se extinga nos outros.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/22409117036</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/22409117036</guid><pubDate>Fri, 04 May 2012 20:25:00 -0300</pubDate></item><item><title>Fogo e cinza</title><description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Fogo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A estranha cicatriz&lt;br/&gt;
que veio de tua raiz&lt;br/&gt;
está cada vez mais perto &lt;br/&gt;
do topo do chafariz.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O estranho amargo&lt;br/&gt;
que veio da tua cicatriz&lt;br/&gt;
está cada vez mais perto &lt;br/&gt;
do topo do chafariz.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O estranho amargo&lt;br/&gt;
que veio do teu coração&lt;br/&gt;
está cada vez mais perto &lt;br/&gt;
do topo do chafariz.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O estranho som amargo&lt;br/&gt;
que veio do teu diapasão cada vez mais exerce pressão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Cinza&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As lágrimas &lt;br/&gt;
– pasmas – &lt;br/&gt;
causam minhas asmas &lt;br/&gt;
que assim vão de encontro ao plasma&lt;br/&gt;
que se esconde &lt;br/&gt;
debaixo da tua &lt;br/&gt;
asa.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/21885726719</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/21885726719</guid><pubDate>Thu, 26 Apr 2012 22:15:04 -0300</pubDate><category>Fogo</category><category>cinzas</category><category>sentimentos</category><category>amor</category><category>vida</category><category>dissertação</category><category>filosofia</category><category>platão</category></item><item><title>O Sonho de Morfeu</title><description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;A Recepção&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estavam todos muito ocupados na recepção da clínica quando Morfeu passou pelo detector de metais da entrada, arrancando caretas dos guardas quando fez travar a porta giratória. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Senhor, tire essa capa que o senhor está vestindo. Coloque todos os objetos metálicos que o senhor possui nesta caixa e coloque-a junto deles através desse buraco na parede.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Certo&amp;#8221; disse Morfeu, com impaciência. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tirou de seu bolso uma nuvem pequena e de aço, uma pequena gema de âmbar, um par de chaves de 40 centímetros cada, chaves todas trabalhadas com desenhos que pareciam formar labirintos quadrados que dançavam juntos conforme a luz da recepção refletia em seus corpos. &lt;br/&gt;
Colocou a caixa no buraco indicado pelo guarda e passou de novo pela porta giratória. Morfeu pegou seus objetos e foi até a recepção.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Qual seu nome?&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Morfeu.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Sobrenome? &amp;#8220;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Oneiros. Morfeu Oneiros.&amp;#8221; &lt;br/&gt;
&amp;#8220;Ok.&amp;#8221; a recepcionista estranhou o nome, mas apesar de seus comentários mentais, permaneceu quieta.&lt;br/&gt;
&amp;#8220;O senhor trouxe algum documento de identificação que comprove esses dados?&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Não.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Então vou precisar do seu endereço, do nome da sua mãe e do nome do seu pai.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Avenue des Champs-Élysées, número 42 ½. Minha mãe é Nix Oneiros e meu pai Erebus Oneiros.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Certo. Aguarde sua vez. Te chamaremos pelo nome. &amp;#8220;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Obrigado.&amp;#8221;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;A Consulta&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Então, Morfeu, né? Nome bonito. Vamos começar. Qual é o seu problema?&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Eu sonhei.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Certo. Sonhou com o quê?&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Segure minha mão.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Ahm, tá&amp;#8230;&amp;#8221; a psicóloga fez o que Morfeu pediu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;O Sonho&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo escureceu. A última imagem que Gabriela Rigezzi teve foi de Morfeu beijando-a enquanto segurava sua mão. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Preste atenção em tudo o que ver. Tudo. Não deixe escapar nada.&amp;#8221; uma voz ecoava em seus ouvidos, ao mesmo tempo que o barulho de uma suave respiração calma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era manhã. Uma mesa redonda, doze pessoas: Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio.&lt;br/&gt;
Uma flecha acertou o crânio de Afrodite, que berrou. Todos se assustaram. A comida que estava na mesa se transformou em cobras, que mataram, em sequência, Zeus, Poseidon, Hefesto e Dionísio. Os outros deuses foram acertados por raios e foram desintegrados. Um mago de barbas longas se materializou a partir de um enxame de abelhas, junto de um cavaleiro vestido de uma armadura que parecia ser feita de escamas de peixe, branca, que reluzia como nunca se havia visto no mundo. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Arthur! Recolha os corpos que restaram.&amp;#8221; disse o velho mago.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acordou assustada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;MORFEU! Onde estão aquelas pessoas? Morfeu? Responda! Você tá bem?&amp;#8221; a psicóloga berrava.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os olhos de Morfeu ficaram brancos. Totalmente brancos. Sua roupa sumiu, deixando-o completamente nu. Sua boca passou a se mexer, tentando pronunciar palavras que não saíam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Qu-qu-quando Morf-f-eu sonha, os sonh-nhos se t-tornam realida-&amp;#8221; um raio atingiu a cabeça de Morfeu; raio que veio através da tomada do consultório.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A psicóloga estava apática. O velho mago se materializou a partir de uma caneta, dentro do consultório. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Vamos, Gabriela! Vai ficar parada aí esperando que o Olimpo caia sobre a Terra? As Moiras estão mortas! Quase todos estão mortos! Seu nome, a partir de hoje, será Nimue.&amp;#8221; o velho falava e falava, deixando Gabriela ainda mais incrédula. Gabriela estava lembrando de livros gregos antigos que havia lido, estava associando as situações e nomes que haviam aparecido do nada em sua vida naquela manhã de sábado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Não vou. Não sou Nimue. Sou Tália.&amp;#8221; puxou sua face, exibindo a máscara da comédia que estava costurada em seus músculos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Por que motivo, meu querido Merlin, está com essa fantasia de velho?&amp;#8221;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Pelo mesmo motivo, Tália, que você está fantasiada de humana.&amp;#8221; e riu Merlin. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;A Consulta 2&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Ahm, senhor. Senhor? Acorde. Você dormiu por uma hora.&amp;#8221; disse Gabriela.&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Ah&amp;#8230; me perdoe.&amp;#8221; Morfeu abriu os olhos, desaparecendo e deixando um suave perfume de lavanda no ar.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/21304177226</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/21304177226</guid><pubDate>Tue, 17 Apr 2012 23:18:00 -0300</pubDate></item><item><title>Condição Escalar de Existência ou Escala Condicional Matemático-Teológica</title><description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Criação: Daniel Vilhas&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Participação: Edilson C. Takano Filho&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Resumo:&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;
Em um universo matemático (aquele que é regido pelas &amp;#8220;leis da natureza&amp;#8221;, sejam essas leis conhecidas pelos seres humanos ou não), fica logicamente definida a impossibilidade da existência de algo fisicamente maior do que tudo ou menor do que tudo, e numericamente mais alto que tudo e menos baixo que tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;O argumento aplicado a Deus (absoluto, maior do que tudo, consciente)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Deus e a matemática, segundo a Escala Condicional Matemático-Teológica, são de coexistência impossível. No universo matemático em que vivemos, onde nada é indivisível e sempre há algo além ou anterior, como na escala numérica, Deus é impossível. Logaritmicamente é irrelevante sabermos o que é maior ou menor, pois, se Deus existisse, ele seria um valor superior ou mais alto em qualquer escala, tal como no Espaço ele seria algo maior do que quer que ocupe tal valor. A escala física aplica-se novamente, por mais que algo ou Deus se colocasse no final de uma curva, ele jamais poderia ser seu final porque ela é infinita tanto para cima quanto para baixo do plano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/19/Log-graph.png"/&gt;&lt;b&gt;Então, qualquer tipo de deus é impossível?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se definirmos as &amp;#8220;medidas&amp;#8221; de tal deus como sendo absoluto e maior do que tudo, sim, é impossível dentro do universo em que vivemos e perante as leis matemáticas (&amp;#8220;A matemática é uma aplicação humana a uma lei já presente na natureza. É a expressão máxima da lógica. Razão áurea, proporção, equivalência, força física, etc. A ciência natural é assim.&amp;#8221;&lt;b&gt;*&lt;/b&gt;) que ele apresenta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Contra-argumento&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;
Ao deixarmos de definir medidas para tal deus ou deuses, ele se torna perfeitamente plausível. Dentro da filosofia, seria injusto afirmar que a matemática é a única verdade; você tem que considerar opções e mesmo que você não saiba quais exatamente são elas, estas têm que ser consideradas. É loucura e sem fundamento afirmar que, em outro universo (se existir), outras leis matemáticas não existam. Esse campo é muito mais profundo e extenso, e para fins práticos não vale a pena falar dele.&lt;br/&gt;
Voltando ao assunto original, uma pessoa que soubesse todas as fórmulas matemáticas presentes na Natureza, poderia ser considerada um deus. Mas esse nunca poderia ser um parâmetro absoluto, já que, por exemplo, um item vital ao ser humano (como o Sol), poderia ser considerado um deus do ponto de vista filosófico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Crenças&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;
Nada impede, porém, que alguém acredite que tal Deus exista. A matemática diz que 2 + 2 = 4, mas você não é obrigado a acreditar na matemática - apesar de que, ao negar a matemática como correta, isto é, dizer que é falsa, neste universo, você nega a sua própria existência, nada impede o ser humano de seguir pelo lado irracional de sua natureza; sendo ou não saudável psicologicamente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Conclusão&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;
Deus não existe se ele estiver submetido à matemática a que estamos. E não existe se ele compartilha de uma dimensão que esta matemática compartilha. Ele não existe se é afetado por qualquer matemática. E não existe se ocupa o mesmo espaço da forma que a matéria até onde estudamos faz. E, se ele não ocupa esse espaço, é irrelevante para todos os casos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;*&lt;/b&gt;Comentário por Edilson&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/21070411682</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/21070411682</guid><pubDate>Sat, 14 Apr 2012 02:49:00 -0300</pubDate><category>Deus</category><category>deus</category><category>filosofia</category><category>matemática</category><category>argumento</category></item><item><title>Carta de Despedida I</title><description>&lt;p&gt;Esbarras. Tu esbarras e não olhas. &lt;br/&gt;
É como se visse sem olhar - mas eu olho. Olho pr&amp;#8217;os cabelos que formam cachos tênues e desajeitados, mal-cortados porém chamativos como luzes parisianas numa noite de inverno. Perco-me em seus traços faciais familiares e em suas roupas quadriculadas que usas fora da época junina. &lt;br/&gt;
Que tipo de música cantariam seus fones de ouvido - &lt;i&gt;que dos dois lados você aparentemente persiste em usar um só&lt;/i&gt; - em sua alma?&lt;br/&gt;
Que tipo de cócegas sua barriga sentiria ao escorregar como escorregastes naquele dia, encontrando dolorosamente - e engraçadamente, confesso - o chão azul-esporte daquele lugar?&lt;br/&gt;
Platão nos descreve como algo ideal, distante e improvável. Não espero provar que Platão errou.&lt;br/&gt;
Ficas aí que fico aqui, [      ], porque um dia tu esbarras e olhas. Ou talvez não?&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/20820749544</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/20820749544</guid><pubDate>Mon, 09 Apr 2012 23:38:59 -0300</pubDate></item><item><title>Até hoje, nunca fez um texto sobre mim.</title><description>&lt;p&gt;E quem é você? Sugiro que meu irmão.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/19428493351</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/19428493351</guid><pubDate>Fri, 16 Mar 2012 23:01:29 -0300</pubDate></item><item><title>Morte especial ou "fate knocking on the door"</title><description>&lt;p&gt;Você pode até não ser culpado por quase nada de ruim que aconteça na sua vida. Mas você poderia ter feito mais. E é isso o que você não enxerga e eu quero que enxergue. Ficar sentado esperando que o cosmos te dê respostas não te faz menos culpado de nada. Só te faz culpado, em todas as vezes, por omissão. E omissão é algo que me incomoda. Ou mudas da água pro vinho ou mudarás da água para o esgoto - te garanto que quem contribuirá com isso serei eu.&lt;br/&gt;
Talvez eu esteja cometendo um terrível erro ao prosseguir com algo que eu achei que seria certo por ter sido bom.  Fingir que nada acontece quando se sabe que acontece é loucura. Escrevo direta e informalmente dessa vez porque acho que Woody Allen tinha toda a razão do mundo ao ser tão idiota como foi em toda sua vida medíocre.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/19134622748</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/19134622748</guid><pubDate>Sun, 11 Mar 2012 16:48:08 -0300</pubDate></item><item><title>E...</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;ele morreu.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/18094042308</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/18094042308</guid><pubDate>Wed, 22 Feb 2012 19:04:41 -0400</pubDate></item><item><title>A Arábia: parte dois</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;1: A ideia&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por mais estranha que me pareça a ideia, penso no suicídio. O cessar total de minha existência; da consciência que me habita agora, das experiências que tive, dos amores que nutri e nutro por todos que algum dia me encantaram - alguns, se foram; outros, permanecem. Seria o cessar da existência tudo o que eu preciso para que as pessoas tenham ideia de quem realmente me importava? &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Por mais que queiramos impressionar ou confortar alguém, não existe nada além de nós mesmos no fim das contas. Não tem.&amp;#8221;&lt;br/&gt;
- &lt;i&gt;Edilson C. Takano Filho&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A parte só sua, que só você administra, no meu ponto de vista, tem que ser parte de mim. E você não quer isso. Você não quer abdicar da sua liberdade única e inexorável. Pois te direi, pela primeira vez em minha vida, algo que nunca disse a ninguém: eu sou inexorável, assim como o teu e o meu destino.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Wyrd bið ful aræd&lt;/b&gt;. O destino continua totalmente inexorável. Mas o destino não existe.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tu existes e isso foi o que me importou até agora. Minha ideia será, certamente, executada. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;i&gt;2: A conversa&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt; – Você não vai se matar.&lt;br/&gt;
 – Por que acha isso?&lt;br/&gt;
 – Você sabe por que a maioria das pessoas não se matam? Porque fazer as coisas é legal. E, quando se morre, você não pode fazer absolutamente nada. A ideia da inexistência nos perturba mais do que qualquer outra coisa na face do universo. Por isso foram criados os deuses. &lt;br/&gt;
 – E se eu te dissesse que eu não me importaria de não fazer nada? &lt;br/&gt;
 – Então se mate. Você não vai saber que está morto, de qualquer modo. Será como se nunca tivesse existido. Só quem vai se preocupar com você morto é quem ainda está vivo.&lt;br/&gt;
 – Você choraria se eu morresse?&lt;br/&gt;
 – Muito.&lt;br/&gt;
 – Perdão.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/18082233317</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/18082233317</guid><pubDate>Wed, 22 Feb 2012 15:38:00 -0400</pubDate></item><item><title>A Arábia</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;1: A visita&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No meio do verão em que minha mente se encontra, em meio a todos os pensamentos quentes e abafados, encontrei o inverno. Encontrei-o como se fosse amigo de longa data, daqueles amigos que fica sem se ver durante tempos e tempos e só se vê uma vez por ano mas que você ama com tanta convicção que daria sua vida e tudo o que viesse com ela embora só pra ter seu reconhecimento. Aqueles amigos do tipo Muri. &lt;br/&gt;
Enquanto conversávamos, como se já não fosse estranho nosso encontro fora de época, percebi que ele havia mudado. Disse-me que eu teria que entender que algumas pessoas, como ele, gostavam da solidão e da frieza que seus cobertores quentes revelavam.&lt;br/&gt;
Revoltei-me: a solidão não faz e nunca fez sentido, por mais que em certa época de minha vida eu a tenha acolhido. Ficar sozinho não faz sentido. E se faz pra alguém, há algo de errado. A solidão parece que combina, que acolhe, que aconchega: mas só corrompe. Que graça há na solidão? Eu sem elas e eles não seria nada. Você também não será. &lt;br/&gt;
Depois de toda minha revolta, caí em lágrimas e tentei usar de toda empatia que eu poderia para tentar entender o que faria alguém querer a solidão. A solidão pode ser sinal de afeto; as pessoas querem constantemente poupar as outras das coisas más porque as amam. Mas não fazem, as coisas más, parte da vida? Claro que o fazem! Deixe que aconteçam as coisas más, oras - não todas, decerto.&lt;br/&gt;
Não tenho coragem de te deixar só. Porque amo-te. Amando-te, sou incapaz de exercer a solidão em seu malefício. Posso estar errado? Sim, posso. Mas não quero pagar para ver e acabar estando errado em te deixar só. Estou com medo de sofrer tanto de novo. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;i&gt;2: A conversa&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Peixe?&lt;br/&gt;
— Peixe.&lt;br/&gt;
— E era grande?&lt;br/&gt;
— Muito. Quase me derrubou do barco.&lt;br/&gt;
— Não pediu ajuda, não?&lt;br/&gt;
— Não, não. Falei com ele e amansou certinho o bicho.&lt;br/&gt;
— Falar com peixe? Eu sabia que você não batia bem dos cocos. &lt;br/&gt;
— Para com isso! &lt;br/&gt;
— Te amo.&lt;br/&gt;
— Eu também.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/18040251512</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/18040251512</guid><pubDate>Tue, 21 Feb 2012 20:43:49 -0400</pubDate></item><item><title>Incandescência: Onde acabam os logogramas</title><description>&lt;a href="http://incandescencia.org/post/17289341544"&gt;Incandescência: Onde acabam os logogramas&lt;/a&gt;: &lt;p&gt;&lt;a href="http://incandescencia.org/post/17289341544" class="tumblr_blog" target="_blank"&gt;incand&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;

&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://media.tumblr.com/tumblr_lz3m0jqdlr1qzezgi.jpg" height="400"/&gt;&lt;/p&gt;A alta armada ansiosa aguarda&lt;br/&gt;até a pátria na alegoria ampara&lt;br/&gt;c’a fina espada se assina carta&lt;br/&gt;na pedra baixa ela aspira a lata&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu esperei este ermo estame&lt;br/&gt;que era e esperava-se eterno&lt;br/&gt;era eu estando errado e ele&lt;br/&gt;ele estava no ébrio embate&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Inimigo de inimigo irriga o ringue&lt;br/&gt;o impasse é amigo…&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/17290236504</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/17290236504</guid><pubDate>Wed, 08 Feb 2012 20:24:14 -0400</pubDate></item><item><title>Pesadelo de tango</title><description>&lt;p&gt;Ataca-me a espuma. Uma espuma densa e que vai lentamente me envolvendo. Espuma essa que carrega todas as minhas frustrações e lágrimas que escorrem no momento. Talvez, A Espuma seja o Eu. Vou me envolvendo em mim mesmo. Tendo que aturar incertezas que vieram lá de longe, do país que há tempos não me incomodava. &lt;br/&gt;
Sou tão fraco que mal consigo escrever sobre isso.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/17118896457</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/17118896457</guid><pubDate>Sun, 05 Feb 2012 18:41:30 -0400</pubDate></item><item><title>Carta aberta ao Ministério Público Federal</title><description>&lt;p&gt;Campinas, 29 de Janeiro de 2012&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
Caro Ministério Público Federal,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
Venho por meio deste e-mail me manisfestar em relação ao massacre ocorrido recentemente no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos  - um massacre (e não me arrependo de usar essa palavra em um momento sequer) no qual a Polícia Militar do estado de São Paulo teve efetiva participação com sua truculência e abuso de poder. É inútil que eu afirme isto, já que com certeza essa história já deu muito o que falar nos escritórios em que vocês trabalham. Acessei o site do Ministério Público Federal e me deparei com a seguinte frase: &amp;#8220;Seu direito, nosso dever.&amp;#8221;. Explorando um pouco mais tal site, ao passar o mouse por cima da aba &amp;#8220;direitos do cidadão&amp;#8221; é possível ler o seguinte: &amp;#8220;O MPF garante o respeito aos direitos humanos e às normas que protegem o cidadão&amp;#8221;. Então agora estou certo sobre &amp;#8220;A quem recorrer?&amp;#8221;.Caso vocês não tenham conhecimento a respeito do ocorrido em Pinheirinho (eu realmente acho que não seja o caso, já que vocês são responsáveis por garantir o respeito aos meus direitos humanos e aos direitos humanos de cada cidadão brasileiro), sugiro que avaliem os seguintes vídeos:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
1 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NBjjtc9BXXY" target="_blank"&gt;www.youtube.com/watch?v=NBjjtc9BXXY&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
2 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=TAy-jiAkVr0" target="_blank"&gt;www.youtube.com/watch?v=TAy-jiAkVr0&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
3 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YHUiFYtwXOA" target="_blank"&gt;www.youtube.com/watch?v=YHUiFYtwXOA&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
4 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tj_zHrx7jcU" target="_blank"&gt;www.youtube.com/watch?v=Tj_zHrx7jcU&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
Eu peço que assista a esses vídeos, você que está lendo esse e-mail. Eu peço do fundo do meu coração. Eu peço como cidadão brasileiro que quer ver os direitos do seu próximo cumpridos. Enfim&amp;#8230; continuando.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
Após as imagens que sugeri que vissem, é impossível que não seja constatado o desrespeito direto e indireto dos direitos humanos da população que morava em Pinheirinho. Irei citar alguns dos direitos presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos que foram desrespeitados:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Artigo III&lt;br/&gt;
        Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.&amp;#8221;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Artigo V&lt;br/&gt;
        Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.&amp;#8221;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Artigo XII&lt;br/&gt;
        Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.&amp;#8221;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Artigo XIX&lt;br/&gt;
        Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.&amp;#8221;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
&amp;#8220;Artigo XXV&lt;br/&gt;
        1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.&amp;#8221;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;
Eu peço que se eu estiver errado em algum ponto, me corrija. Somos todos humanos e passíveis de erro. Mas quem fiscaliza o erro dos outros não tem o direito de errar, portanto, Ministério Público Federal, eu espero e peço que realmente se mobilizem a respeito do acontecido em Pinheirinho.&lt;br/&gt;
A reintegração de posse tinha que ser feita? Tinha. É legal? Totalmente legal. Mas isso não a faz legítima. Como disse o jornalista Ricardo Boechat (TV Bandeirantes): &amp;#8220;Não há razão social na outra ponta que justifique a premência, a violência, a truculência [&amp;#8230;] com que as autoridades do estado de São Paulo e sua proba justiça [cumpriram a reintegração]&amp;#8221;; &amp;#8220;Não é ilegal, mas é absolutamente ilegítima pelas consequências que produz&amp;#8221; (depoimento completo: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mghmTSVEyrM" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=mghmTSVEyrM&lt;/a&gt;)&lt;br/&gt;
A ação em Pinheirinho só comprova que os governantes e a Polícia Militar não estão sendo usados em benefício do povo. Estão sendo usados em benefício daqueles que têm e não dos que pouco têm. A ação em Pinheirinho só comprova que a Polícia Militar, que é um instrumento do povo, está sendo constantemente usada como um instrumento contra o povo. E isso é inaceitável. É inaceitável que o MPF tente amenizar a situação apenas tentando dar condições imediatas de subsistência para essas pessoas. Não que seja desnecessário: é óbvio que é necessário. É claro que é necessário. Mas e depois? Para onde vão essas famílias? Programas sociais do governo? Esperar em filas gigantescas que demoram anos?&lt;br/&gt;
Seis mil pessoas. Não deveria o governo do estado de São Paulo ter arranjado moradia com mínimos padrões de vida para essas famílias antes de tê-las despejado? É possível que o governo federal seja acuado pela justiça do estado de São Paulo? &amp;#8220;Ah, mas é a decisão da justiça e ela deve ser cumprida&amp;#8221;. Pois a Senhora Justiça está errada. Eu tenho quinze anos de idade e sei que ela está errada. Eu tenho quinze anos de idade e sei que jogar pessoas que já não tinham condições boas de vida em abrigos do governo é errado. É errado tirá-las de suas casas (sim, SUAS casas) com tal violência, como fez a Polícia Militar. Se eu que tenho quinze anos e sei que isso está errado, como os senhores e senhoras que fizeram com que essa ação fosse cumprida e provavelmente têm diplomas e mais diplomas de Direito e doutorados não sabem? Como essas pessoas não têm noção do que fizeram? É óbvio que elas têm. É óbvio. Acontece que o interesse pelo dinheiro, o interesse pelo favor político e econômico é maior do que o interesse humano. É por isso, Ministério Público Federal, que você existe. Você existe para assegurar os direitos humanos de cada um daqueles que foram baleados sem piedade com balas de borracha. Você existe para impedir que as crianças que lá estavam durmam no chão, em locais improvisados, por mais uma noite. Você existe para assegurar que os culpados por essa invasão violenta sejam punidos. Ou será que você não existe? Será que é só mais um instrumento político-econômico? Espero que não. Porque se for, não nos resta mais nada a fazer senão sentar e chorar esperando que mais uma tragédia (tragédia essa proporcionada pelo Estado) aconteça.Seja longe ou perto de onde estou; seja com algum desconhecido que têm os mesmos direitos que eu de dormir numa cama quente, debaixo de cobertas; ou seja com um membro de minha família. Não calem-se diante disso. Não tomem meias-medidas. E se envergonhem se por acaso não fizerem algo: porque eu, do alto da minha impotência, já me envergonhei. De todos. E de mim.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/16752031574</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/16752031574</guid><pubDate>Mon, 30 Jan 2012 03:29:00 -0400</pubDate><category>paz</category><category>justiça</category><category>pinheirinho</category><category>polícia</category><category>brasil</category><category>apelo</category><category>revolta</category></item><item><title>A lua de Monacce</title><description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Primum (, non nocere?)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;#8220;Estão convidados para a grande inauguração do terceiro andar da Mansão Monacce todos aqueles que possuem pele parda e olhos verdes. Se te interessa o assunto, venha e retire seu convite.&amp;#8221;, repetia o homem vez após outra. Segurava os convites de forma porca e estranha, do mesmo modo como aqueles velhos entregavam os panfletos da clínica dentária na esquina da José de Alencar com a Cônego Cipião. &amp;#8220;Dentaz&amp;#8221; era o nome da clínica, se não me engano. Mas ao invés de tirar atenção da história que venho aqui contar, prosseguirei. Só dessa vez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;– Eu quero um convite - revelou um garoto. Pardo. Olhos verdes. &lt;br/&gt;
– Tudo bem, menino. Aqui está. - e entregou um panfleto de alumínio dourado ao garoto.&lt;br/&gt;
– Obrigado, senhor.&lt;br/&gt;
– De nada. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era sabido que todos que iam até a Mansão Monacce voltavam decepcionados por terem esperado algo bem mais digno de uma inauguração. Mas garotos são garotos e a curiosidade desse ultrapassava decepções - decepções, estas, que ele não teria.&lt;br/&gt;
O relógio da cidade marcava meia-noite com um tilintar bem suave e sonoro por toda a região. Além de marcar meia-noite, esse tilintar indicava que era hora da inauguração. Apressado, o garoto colocou seu par de galochas pois previa que o caminho até a Mansão Monacce estaria muito lamacento por causa daquele verão anormalmente chuvoso que enfrentavam naquela pequena ilha esquecida no oceano pacífico. &lt;br/&gt;
Chegou nos portões da mansão com as botas sujas de barro e chacoalhou-as pra lá e pra cá visando tirar a lama para que pudesse aparentar um pouco aceitável. E não sabia o que fazer com o convite. Não havia guarda nem mordomo; muito menos luzes. Estava tudo escuro.&lt;br/&gt;
Tirou seu panfleto dourado do bolso e balançou para o alto, achando que alguém pudesse notá-lo. O panfleto, porém, brilhava insistentemente apesar da ausência de luz no local.&lt;br/&gt;
Não veio ninguém e o garoto inquietou-se: jogou o panfleto no chão. Um trovão imediatamente ecoou pelos bosques da Mansão Monacce, fazendo o garoto saltasse de susto. Uma placa gigante no chão brilhou, fazendo com que fosse possível ler em letras bem grandes: &amp;#8220;JOGUE SEU CONVITE EM CIMA DESTA PLACA&amp;#8221;.&lt;br/&gt;
O garoto sorriu e um raio o acertou. Desapareceu em meio a faíscas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estavam todos sorridentes num salão da mansão tomando vinho e conversando sobre os recentes avanços tecnológicos na área de robótica, que aconteciam nas terras do norte daquelas terras em que estavam. As luzes se apagaram e um raio saiu do piso quadriculado (em verde e roxo) do salão. Se materializou ali, em meio ao salão - e a partir de um raio - o garoto pardo de olhos verdes. Seu nome era Uln&amp;#8217;y e fazia parte de uma tribo que vivia afastada da civilização. A luz voltou. Uln&amp;#8217;y, ainda assustado, percebeu que o panfleto voava suavemente à sua frente; como uma pluma que foi deixava aos cuidados do destino por uma criança de cinco anos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;– Ah! Aqui está. Mais um convidado - exclamou o anfitrião, Sérgio Honma Monacce (sim, porque pessoas importantes precisam ter seus nomes escritos por inteiro, sílaba por sílaba) - Já podemos começar a inauguração. Sigam-me todos, por favor - e bateu duas palmas, palmas essas que foram potencializadas pelo fato de Sérgio estar usando luvas de látex cirúrgicas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma porta de oito metros ficava mais visível à medida que o anfitrião se aproximava dela. Parecia tudo friamente calculado. Bateu mais duas palmas. A porta abriu - para dentro. Um vento monstruoso entrou por ela como se quisesse devastar tudo, mas apenas devastou cabelos com laquê e maquiagens porcamente feitas. &lt;br/&gt;
Uln&amp;#8217;y foi o primeiro a se aproximar da porta depois de Sérgio. E viu o que todos mais queriam ver: a lua. Havia uma lua no terceiro andar da Mansão Monacce. Todos, incrédulos, tentaram entender a situação.&lt;br/&gt;
Muito longe dali, num lugar chamado Europa - a lua, não o continente -, extraterrestres miravam seus canhões de plasma azul para a Terra. Sem hesitar, atiraram. A lua de Monacce explodiu. Uln&amp;#8217;y se explodiu. Todos se explodiram.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;– Papai - disse Hen, que acompanhava seu pai numa base subterrânea em Europa - eles tinham mesmo que morrer, papai? Não foi crueldade demais, papai? Eles não são como nós?&lt;br/&gt;
– Eles são, Hen. São como nós. Mas se tiveram a capacidade de aprisionar a lua de nosso planeta, sem ao menos nos procurar para que pudessem pedir permissão, o que fariam se soubessem da nossa existência? É difícil, filho. Mas uma raça onde não há respeito entre eles mesmos não é digna de uma ou duas chances para que possam respeitar a nós. Foi por isso, filho, que explodimos a Terra. Mas não se preocupe. O grande Shivàn há de cuidar do ikakeru desses pobres mortais. Eles não morreram. Apenas foram para um lugar melhor.&lt;br/&gt;
– Pai&amp;#8230; seu nariz está sangrando.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/16616089576</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/16616089576</guid><pubDate>Fri, 27 Jan 2012 23:40:00 -0400</pubDate><category>lua</category><category>vida</category><category>banal</category><category>crônica</category><category>texto</category><category>garoto</category><category>latim</category><category>raça</category><category>humana</category></item><item><title>Vender a alma e mudar de ideia talvez surta o mesmo efeito, dependendo do mundo no qual você vive.</title><description>&lt;p&gt;E no mundo no qual vivo, todas as flores são manchadas com o sangue de um garoto que há tempo não as toca por terem seus espinhos. E isso me lembra uma certa guerra entre carneiros e rosas que um dia encantou as crianças que já não fazem mais parte da nossa época - existem, mas são raras as que conhecem tal guerra. Não sei o que me faz sujar os dedos com o sangue desse garoto, dessa vez. Talvez porque eu não esteja satisfeito com o que tenho no momento - que poderia parecer uma fortuna para muitos. &lt;br/&gt;
Não se pode mudar de ideia tão fácil: acarreta consequências, desamores, raiva e aqui posso usar uma frase famosa por ser banhada em clichê: para se fazer um bom omelete, é preciso quebrar alguns ovos. Não gosto de omelete, portanto ao invés de quebrar ovos, racho corações. O que de certo ponto de vista, pode ser horrível e melancólico. Mas minha vida não está nada horrível e melancólica. O único problema é que o amor não é o suficiente pra fazer uma pessoa completamente feliz. Sou egoísta e quero mais. Quem quer o perigo acaba sangrando sozinho.&lt;br/&gt;
Uma vez concordou comigo - ou concordei com ele - um rapaz chamado Hélio, (escrevo como se tivesse acontecido há muitos e muitos anos, mas não foi: aconteceu hoje de madrugada) e sobre o que concordou? Concordou que amor era induzido, que não era mágico e não acontecia de repente. Acontece que temos uma tradição de querer magicar e enfeitar com tudo e a ideia de que o amor não é induzido nos faz se sentir melhor. A ideia de que é &amp;#8220;por acaso&amp;#8221; conforta nossos corações estranhos. &lt;br/&gt;
Pois decepciono-te: o amor não é por acaso. É induzido. Não existe tal força sobrenatural que te faz amar alguém, você-não-sabe-o-porquê. É invenção, é eufemismo em outra forma que não a tradicional. &lt;br/&gt;
Isso certamente não se aplica a desprender-se do amor: aí temos que tocar no sangue e nos nervos expostos de outra criancinha - garotinha, dessa vez -, que nos assombra por séculos: a indiferença.&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/15315812835</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/15315812835</guid><pubDate>Wed, 04 Jan 2012 19:48:00 -0400</pubDate></item><item><title>Mecânica celeste aplicada</title><description>&lt;p&gt;Como diria Yoñlu, - e o título é inteiramente creditado a ele - a pior coisa que Platão inventou foi o amor - que só traz solidão. De Capitolina Pádua (Capitu) e Bento a Pierrot e a Colombina (e Arlequim, de intruso), há o amor. Que amor é esse, que tudo pode, tudo rasga, tudo atravessa e alegra? Seria esse o amor dos humanos? De Platão? Seria o amor de todos nós e de todos eles? Seria o mesmo amor que sinto?&lt;br/&gt;
Não sei! Clarice já disse nos seus últimos dias de vida que tudo era tão incerto. Quem sou eu pra discordar da nossa querida mulher de raízes ucranianas que tinha a flor de lis no peito? Acho que quando eu descobrir, passo aqui e conto pra vocês. Ou me faço de chato e guardo segredo. &lt;br/&gt;
Claro&amp;#8230; achou que eu ia te contar o maior e mais valioso segredo de mão beijada?&lt;/p&gt;</description><link>http://www.danielvilhas.com/post/14351890666</link><guid>http://www.danielvilhas.com/post/14351890666</guid><pubDate>Sat, 17 Dec 2011 09:13:23 -0400</pubDate></item></channel></rss>

